Formação para profissionais de saúde

 

1          Diagnóstico das Necessidades de formação

 

1.1       Interno:

Profissionais de saúde que trabalham em hospitais têm acesso a uma vasta população que sofre de doenças crónicas, incuráveis e progressivas, uns em fase de tratamento curativo e outros cuidados paliativos, com necessidades diferentes. Dar apoio emocional e espiritual aos doentes e às suas famílias nesta caminhada nem sempre é fácil para os profissionais de saúde e neste sentido, uma intervenção que engloba tanto uma preparação pessoal para lidar com o sofrimento e a morte, como conhecimentos e instrumentos que lhes permita aumentar a qualidade da sua relação de ajuda, e simultaneamente reduzir o risco de esgotamento profissional (burnout), poderá ser benéfico. Um dos meios para este fim será proporcionar esta formação especializada às suas equipes.

1.2       Externo:

A AMARA, Associação pela Dignidade na Vida e na Morte, tem uma vasta experiência na formação de profissionais de saúde no sentido de prepará-los emocionalmente para lidar com o sofrimento dos doentes, e para dar o apoio psico-social e existencial que os doentes e suas famílias necessitam. A AMARA possui também os meios para providenciar suporte emocional e académico aos profissioais, caso queiram, através de supervisão regular e formação contínua.

A formação da AMARA “Vida e Morte, a mesma Preparação” foi sujeita a uma investigação científica a nível de doutoramento por Carol Gouveia Melo na Universidade de Kent, Reino Unido, com profissionais de saúde em várias instituições de saúde de Portugal. Os resultados revelaram que os formandos ficaram a conhecer-se melhor a nível de assuntos existenciais relacionados com a vida e a aceitaçáo da morte, e tornaram-se mais conscientes das suas capacidades para lidar com o sofrimento. A sua capacidade de entrar numa relação empática com o doente aumentou significativamente, e o seu bem estar pessoal estava positivamente correlacionado com uma melhoria das suas capacidades de relação de ajuda. Sentiram-se mais confiantes e com maior capacidade para poderem compreender as necessidades do doente e da família, e ajudá-los de forma eficiente. Estas mudanças resultaram numa diminuição do seu nível de esgotamento profissional e num aumento do seu sentimento de realização profissional.

2          Justificação da intervenção formativa

Lidar regularmente com o sofrimento e a morte pode tornar-se pesado para o profissional de saúde ou voluntário, com consequências graves tanto para o próprio, como para o doente e a sua família. As causas podem ser o medo que sentem perante a morte, lembrar-se das suas próprias questões pessoais, sentimentos de inadequação e impotência perante o doente, uma compreensão incompleta das necessidades das pessoas com doença crónica, incurável e avançada, e dificuldades de comunicação (Keidel, 2002) (Lowry, 1997). A fim de se defender deste sofrimento e dificuldades na relação com o doente, os profissionais podem optar por mecanismos de fuga, criando uma distância emocional entre eles e o doente e a sua família, ao invés de apenas uma distância profissional saudável (Keidel, 2002) (Connelly, 2009) (Lowry, 1997) (Bernard & Creux, 2003). Estes mecanismos de fuga são prejudicais a vários níveis:

  • Para o doente, pois não recebe o apoio que necessita;
  • Para o profissional ou voluntário, porque ao perceber que não estão a dar um apoio de qualidade ao doente, vão sentir-se desmotivados, aumentando deste modo o seu nível de esgotamento e diminuindo a qualidade de relação de ajuda;
  • Para a instituição, porque, para além de ter falhado na sua responsabilidade de cuidar dos seus funcionários e de garantir, na medida do possível, um serviço de qualidade, o esgotamento profissional pode levar a outros problemas institucionais como o absentismo, erros no trabalho, conflitos, pedidos de transferência ou demissão.

Investir na formação e na prevenção torna-se muito importante a todos os níveis, e torna a equipe muito mais eficaz e produtivo.

Uma formação que ensina as bases da relação de ajuda, e simultaneamente ajuda o profissional a tornar-se plenamente ciente das questões existenciais na sua própria vida vai permitir-lhe reconhecer, compreender e integrar os seus próprios sentimentos, enquanto continua a estar totalmente presente no momento e centrado na relação com o doente/família. Aprender a desenvolver a auto-consciência é, portanto, uma poderosa ferramenta para cuidar de si e prestar uma boa relação de ajuda.

Pedido de Informações

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Assunto

A sua mensagem

“No âmbito da minha actividade profissional, acima de tudo, importa sempre valorizar a relação com o doente, de maneira a que este possa sempre ter a noção de que ao seu lado há alguém sempre pronto a dedicar-lhe a sua competência profissional, aliada ao necessário carinho humano. Este curso foi um grande contributo para o que acabei de explanar”. (auxiliar de acção médica)

“Julgo que formações deste âmbito são sempre importantes porque por vezes no dia a dia, no trabalho no lidar na sociedade estamos demasiado ocupados para parar, pensar em nós, nos outros nos nossos ideais, no lado bom da nossa profissão etc e nestas formações parece que funciona como um retiro espiritual onde nos concentramos naquilo que realmente está a acontecer e por vezes a partilha faz-nos mesmo encarar as situações mais difíceis como menos penosas e encontrar o lado positivo das mesmas”. (enfermeira)

“Simplesmente agradecer, por me terem proporcionado as “ferramentas” que me permitiram explorar o meu “eu” (tão escondido) e por isso me tornar mais segura do meu sentido de vida, e das minhas capacidades. Tudo isto inevitavelmente, se repercutiu na minha actividade profissional, onde me sinto e me vejo, mais tranquila e segura do acompanhamento que faço e quero fazer do doente e família em fase de fim de vida. Obrigada”
(enfermeira)

“O meu reconhecimento e agradecimento especial à Carol, 1º pela simplicidade e naturalidade com que soube despertar sentimentos tão importantes, para o dia a dia de quem trabalha com pessoas que sofrem. 2º porque soube OUVIR. 3º pela sua capacidade de síntese extraordinária, com base na compreensão do que ouve. 4º porque viu o meu sofrimento e assumiu o actuar, proporcionando-me o privilégio de me acompanhar. Muito obrigada”. (Terapeuta ocupacional)

“Todos os médicos em formação e não só deveriam fazer este curso”. (Médica em Hemato-oncologia)

“Agradeço a oportunidade de ter podido frequentar esta formação, estruturada de forma para mim inovadora do que estou habituada a frequentar e que me proporcionou uma liberdade de expressão e um ambiente de tranquilidade emocional gratificante”. (enfermeira)

“O meu muito obrigado à Carol e Helena por me ajudarem a lidar com os meus “medos” e “tristezas”, a partilhar mais com a família e com os outros e a dar mais sentido à minha vida. (médica)

“Beijinhos, até breve e obrigado porque me fez crescer e dar alento para continuar a ser mais e melhor neste trabalho tão gratificante mas também bastante árduo que é cuidar do doente paliativo. Todos os dias um encontro renovado com a vida com o que ela tem de mais belo, simples e puro mas também com o que ela tem de sofrimento e angústia”. (enfermeira)

“Gostaria de agradecer pela formação e para mim, esta formação é essencial para qualquer profissional de saúde”. (enfermeira)

“A formação foi superior às minhas expectativas. Beneficiei ao nível pessoal – foi uma pausa importante para a reflexão, e ao nível profissional, as informações que obtive foram muito objectivas, o que tem ajudado muito no trabalho posterior. Obrigada!” (Psicóloga)